
Data de publicação
27 fevereiro 2025
O dispositivo inovador para estimulação elétrica 3D in vitro, desenvolvido no âmbito do projeto europeu NeuroStimSpinal, foi protegido por patente na Europa e nos Estados Unidos da América. Esta tecnologia, com potencial impacto na área da engenharia de tecidos e medicina regenerativa, resulta da colaboração multidisciplinar entre investigadores da Universidade de Aveiro (UA), do Instituto de Telecomunicações (IT-Aveiro) e da empresa Graphenest.
O projeto NeuroStimSpinal, coordenado pela investigadora Paula Marques, teve início em abril de 2019 e terminou em setembro de 2023. Esta colaboração entre academia e indústria contribuiu significativamente para o sucesso do projeto, resultando numa tecnologia inovadora com potencial impacto na área da engenharia de tecidos e medicina regenerativa. O dispositivo recorre a matrizes de multielétrodos de grafeno para a estimulação elétrica de células estaminais, promovendo a sua diferenciação em tecidos-alvo, uma funcionalidade essencial para a engenharia de tecidos.
Esta abordagem permite recriar condições experimentais mais próximas das verificadas in vivo, facilitando a regeneração de tecidos sensíveis à estimulação elétrica, como os tecidos nervosos, cardíacos e musculares. Entre as principais vantagens da tecnologia destaca-se a melhoria na integração dos tecidos, uma vez que os multielétrodos de grafeno apresentam propriedades estruturais e químicas semelhantes às dos tecidos-alvo. Adicionalmente, o dispositivo tem o potencial de acelerar o desenvolvimento de tecidos destinados ao tratamento de lesões neurológicas, bem como de contribuir para novas abordagens médicas inovadoras, incluindo intervenções cirúrgicas e fisioterapêuticas orientadas para o alívio da dor, a manutenção da continuidade dos tecidos e a desaceleração da progressão de doenças degenerativas.
A equipa responsável pelo desenvolvimento desta tecnologia inclui Paula Marques, diretora do Centro de Tecnologia Mecânica e Automação (TEMA), e Natália Barroca, também investigadora do TEMA, ambas membros do Departamento de Engenharia Mecânica da UA, bem como Luís Alves e Patrícia Martins, do Departamento de Eletrónica, Telecomunicações e Informática e membros do IT-Aveiro. Do lado da empresa Graphenest, destacam-se os inventores Bruno Figueiredo, Rui Silva, Adriana Bernardes e Vitor Abrantes.
Inicialmente protegido por um pedido de patente nacional, com o apoio da UACOOPERA, o dispositivo obteve agora proteção nas principais jurisdições internacionais. Esta ampliação da cobertura de propriedade intelectual cria condições para a exploração comercial da tecnologia à escala global, reforçando o seu impacto potencial nas áreas da medicina regenerativa e da engenharia de tecidos.


















